Nos meus tempos de coroinha, sempre tive uma conexão muito profunda com o tríduo Pascal. Todos os anos, quando meus coordenadores preparavam a escala para a semana santa, eu era a primeira a se voluntariar. Naquela época, a singularidade dos ritos me intrigava; afinal não é todo dia que você vê seu padre ajoelhado para lavar os pés dos paroquianos em imitação a Cristo.

Mesmo depois de tantos anos, eu ainda me vejo muito ligada às observâncias da Semana Santa. Agora, porém, em vez de ter minha curiosidade despertada por diferentes tradições litúrgicas, como foi durante minha juventude, esses abençoados dias santos significam um tempo espiritual e profundo de reverência, ação de graças e autorreflexão. Durante o tempo quaresmal, sou lembrada de como o vazio que vivi mostra minha dependência do Espírito Santo.

Nossa fé católica é cheia de tantas tradições belas, mas uma que me deixa sem palavras toda vez que a testemunho é a procissão do Santíssimo Sacramento na Quinta-feira Santa. Quando a Missa da Ceia do Senhor termina, as Hóstias Consagradas são levadas solenemente para um repositório especial, comumente chamado de altar de repouso. Muitas igrejas usam suas capelas para esta ocasião. O Santíssimo Sacramento permanece neste local até a distribuição da Eucaristia na Sexta-feira Santa.

Eu estava participando da missa da Quinta-Feira Santa na Catedral de São José, em San Diego, quando senti pela primeira vez a magnitude dessa procissão. O padre tinha acabado de recitar a oração pós-comunhão, o incenso estava sendo preparado e eu estava olhando ao redor, tentando encontrar onde o altar de repouso estava localizado. A catedral estava cheia de fiéis, mas o ar permanecia perfeitamente silencioso. Sem os raios do sol do sul da Califórnia brilhando, as luminárias escuras de madeira davam um tom sombrio. O santuário era iluminado praticamente apenas pelas velas acesas no altar principal.

Eu esperava que o coral começasse a tocar uma melodia calma ou a iniciar um canto suave quando a procissão do Santíssimo Sacramento começou. Em vez disso, o padre convidou todos a segui-lo. Os paroquianos eram encorajados a se juntar ao Santíssimo Sacramento enquanto a procissão caminhava para fora, em direção  às calçadas que circundavam a catedral, até finalmente chegássemos ao altar temporário montado no salão social. Quando o padre começou a andar, os únicos sons para quebrar o silêncio eram de Lc 23, 42: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. Estas palavras doces e sombrias, cantadas em silêncio, ecoaram pelo restante da procissão.

“Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”.

Essa humilde prece ecoa profundamente em meu peito toda vez que a ouço. Essas palavras servem como um importante lembrete para mim de que todos somos convidados a participar do reino de Deus vivendo nossa fé católica através dos sacramentos. Lembrar a importância dos sacramentos me inspira a comungar regularmente e a confessar-me.

Na quinta-feira santa, celebramos a noite em que Jesus fez de si um dom para toda a humanidade. Este ano, antes de sair para a missa da Quinta-feira Santa, lembre-se do que você está celebrando quando se faz memória da Última Ceia. Você está prestes a testemunhar o corpo e o sangue de Cristo.

Se você normalmente não participa da Adoração, passe algum tempo extra com Jesus na véspera de sua crucificação. Permita-se abrir para ouvir a mensagem de Deus. Como você pode seguir os passos de Jesus servindo aos outros? Quais são as bênçãos em sua vida que você percebe claramente? O que pode estar impedindo você de pegar sua cruz e seguir os passos de Cristo?

Ao refletir sobre a bela procissão do Santíssimo Sacramento, eu me vejo rezando: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. A minha alma consola-se em saber que todos somos convidados para viver na eternidade com Deus.

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Autor: Marnie Rubinstein é casada e tem orgulho de ser nativa da península superior de Michigan. Anteriormente, trabalhou como profissional de recursos humanos em uma empresa sem fins lucrativos, e gosta muito de viver a vida como escritora free lancer e blogueira. Você pode encontrar outros textos dela no The Modern Cashew. Quando ela não está trabalhando, gosta de cozinhar alternativas saudáveis aos clássicos da culinária e frequentar o parque dos cães com seu adorável filhote de Chiweenie.

Fonte: bustedhalo.com

Traduzido por Ludmila Giacone – Membro da Rede de Missão do YOUCAT BRASIL, como Voluntária nos Núcleos de Tradução e Formação e atualmente também participa do Grupo de Estudo YOUFAMILY em Brasília – DF.

 

 

 

 

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