Assumindo nosso tríplice chamado à santidade

 

Ao testemunhar o batismo do meu primeiro neto, mais uma vez ouvi a descrição de nosso tríplice chamado à santidade. Após o batismo, segue-se a unção com o óleo sagrado do crisma, oportunidade em que o sacerdote reza as seguintes palavras:

“Assim como Cristo foi ungido Sacerdote, Profeta e Rei, que você viva como membro do Seu corpo, partilhando da vida eterna”.

Essa unção é uma comovente recordação da sublime dignidade conferida a nós. Também devemos assumir a missão de sacerdote, profeta e reis.

O Catecismo da Igreja Católica é claro a respeito da função sacerdotal. O batismo faz-nos membros do Corpo de Cristo…

“Para sermos um sacerdócio santo” (I Pd 2, 5). Pelo Batismo, participam no sacerdócio de Cristo, na sua missão profética e real, são “raça eleita, sacerdócio de reis, nação santa, povo que Deus tornou seu”… (I Pd 2, 9). O Batismo confere a participação no sacerdócio comum dos fiéis” (CIC 1267, 1268).

(Nota: o Catecismo também dispõe sobre o sacerdócio comum nos parágrafos 1141, 1143, 1268, 1305, 1535, 1547, 1591 e 1592).

Duas participações no único Sacerdócio de Cristo

É surpreendente para alguns que o sacerdócio comum não seja uma referência ao clero. Os padres ordenados, pelas Santas Ordens, tornam-se membros do sacerdócio ministerial. Por sua vez, o sacerdócio comum designa todos os batizados. O compartilhamento do sacerdócio de Cristo começa no nosso Batismo.

O sacerdócio comum e o ministerial adoram a Deus juntamente na Missa. Somos uma comunidade sacerdotal. Os fiéis leigos adoram ao lado dos padres ordenados. Ambos fazem ofertas a Deus. O padre é especificamente ordenado para consagrar a Eucaristia – oferecer e consagrar o pão e o vinho – em nome daqueles ali reunidos. Também os leigos participam ativamente, oferecendo a si mesmos e seus dons em sacrifício a Deus.

Cristo, sumo sacerdote e único mediador, fez da Igreja “um reino de sacerdotes para Deus seu Pai” (Ap 1, 6; confira 5, 9-10; I Pd 2, 5.9)… Os fiéis exercem o seu sacerdócio batismal através da participação, cada qual segundo a sua vocação própria, na missão de Cristo, sacerdote, profeta e rei (CIC, 1546).

Profetas e Reis

Além da função sacerdotal, existe uma função profética, e outra real. No ministério sacerdotal, elas são cumpridas pela pregação e pelo ensino no governo da Igreja. Como poderiam os leigos viver essas funções proféticas e reais? O Concílio Vaticano II descreve a vocação laica nos seguintes termos:

“A vocação própria dos leigos consiste precisamente em procurar o Reino de Deus ocupando-se das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus… a fim de iluminar e orientar todas as realidades temporais a que estão estreitamente ligados, de tal modo que elas sejam realizadas e prosperem constantemente segundo Cristo, para glória do Criador e Redentor” (CIC 898).

Com fé e a graça dos sacramentos, devemos trazer Cristo para as nossas famílias, cidades e para a cultura. A partir da missa, os fiéis são enviados para ir e servir a Cristo onde quer que a vida os leve. Muitas vezes, eles estão na linha de frente do cristianismo para consagrar o mundo, torna-lo sagrado. Essa compreensão foi expressa pelo Papa Pio XII, e posteriormente recordada por São João Paulo II:

“Os fiéis leigos estão na linha mais avançada da vida da Igreja: por eles, a Igreja é o princípio vital da sociedade. Por isso, eles, sobretudo, devem ter uma consciência cada vez mais clara, não somente de que pertencem à Igreja, mas de que são Igreja (CIC, 899).

“O laicato age de modo profético quando dizem a verdade, e vivem o Evangelho, dando exemplo para suas famílias, vizinhos e colegas de trabalho. A missão deles é “realizada nas circunstâncias ordinárias do mundo” (CIC, 905).

A função de rei dos leigos é exercida através da liderança temporal dos negócios, agindo como Cristo agiria. Jesus, o rei dos céus, deu sua vida para vencer o pecado e a morte, para trazer a ressurreição e a vida nova. Quando trazemos a liderança e o governo de Cristo para os âmbitos de nossas vidas, proporcionados renovação e vida nova onde ela é mais necessária.

“Além disso, também pela união das suas forças, devem os leigos sanear as instituições e as condições de vida no mundo, quando estas tendem a levar ao pecado, para que todas se conformem com as regras da justiça e favoreçam a prática da virtude, em vez de a impedirem. Agindo assim, impregnarão de valor moral a cultura e as obras humanas” (CIC, 909; Lumen Gentium, 36, §3º).

Por último, a liderança dos leigos ajuda a Igreja local a crescer:

“Os leigos… colaboram com os pastores… no crescimento e na vida da Igreja… exercendo ministérios muito variados, segundo a graça e os carismas que ao Senhor aprouver comunicar-lhes” (CIC, 910; Paulo VI, Evangelii Nuntiandi, 73).

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Escrito por: Pat Gohn. É coordenadora editorial do Catholic Digest e do Today’s Catholic Teacher. Além de autora, ela também edita a Catechist Magazine. Encontre outros escritos e livros dela em www.patgohn.com.

FONTE: Catholic Digest

Traduzido por Tiago Veronesi Giacone – Membro da Rede de Missão do YOUCAT BRASIL, como Voluntário nos Núcleos de Tradução, Clube de Leitura YOUCAT e também atualmente participante do Grupo de Estudo YOUFAMILY em Brasília – DF.

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