“Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor.” (Hb 12, 14).

O autor da carta aos Hebreus vem nos ensinar que não é possível alcançar a santidade sozinho. Podemos sem dúvidas tentar, mas que ganho isto teria? Somos participantes do mesmo Corpo de Cristo e juntos a Ele é que, pelo Batismo, participamos do seu sacerdócio (cf. CIgC 1268). Cada um contribui de uma forma para a santificação do outro. Todo aquele que já fez uma mínima experiência pastoral já deve ter notado isto. Mesmo que alguém nunca tenha lhe ajudado, ao menos lhe proporcionou momentos de santificação.

Não é possível alcançar a santidade sozinho.

Acaso podemos crescer na vida da graça sem os sacramentos da Penitência e da Eucaristia? Não é preciso que haja um sacerdote para que, In Persona Christi, os celebre para nós? Talvez alguns argumentem que, além do Sacerdote não é preciso mais nada. Mas e quanto ao Bispo que o ordenou? E quanto aos catequistas que estes bons homens tiveram? E quanto aos pais o geraram, cuidaram e o educaram? “Os primeiros nos educaram para pouco tempo, segundo a sua própria conveniência, ao passo que este o faz para nosso bem, para nos comunicar sua santidade.” (Hb 12, 10).

Somos um só corpo com muitos membros. “Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo” (I Cor 12, 12). Cada qual realiza uma específica missão que contribui para si e também para todo corpo.

Não convencidos da importância, alguns podem ainda pensar: ‘A medida que mantemos nossa vida na graça, a Igreja também cresce. Nos basta crescer sozinhos em santidade pois automaticamente trás benefício à Igreja’. Em certo sentido este pensamento não está errado, pois cada um deve, em sua vida, tomar uma decisão pessoal por Deus. Contudo ainda não justifica o fato de que é possível se salvar só. “Devo trabalhar pela perfeição do irmão, para alcançar a minha. Estamos interligados, não há escapatória.” (atribuída à Chiara Lubich).

“Devo trabalhar pela perfeição do irmão, para alcançar a minha. Estamos interligados, não há escapatória.”

Chiara Lubich percebeu em sua vida esta maravilhosa verdade. Os meios de santificação passam não só por mim, homem, mas por toda humanidade. E isto nos remete a um fato inegável e metafísico. Estamos interligados não por sermos amigos, parentes e irmãos, mas propriamente por compartilharmos a mesma humanidade. Cristo quando nos redime, não o faz a cada um de nós de modo individual (como defende o nominalismo), mas redime toda natureza humana.

Estejamos, pois, atentos a toda nossa vida, principalmente em nossa vivência litúrgica e em nossas atividades pastorais.

Os meios de santificação passam não só por mim, homem, mas por toda humanidade.

Bem sabemos que “a contemplação é o fim de toda a vida humana“, mas também que “pelos efeitos divinos somos levados à contemplação de Deus, segundo as palavras do Apóstolo: As coisas invisíveis de Deus se veem consideradas pelas obras que foram feitas.” (Suma Teológica, II-II, q. 180, a. 4). Ou seja, a vida contemplativa se expressa também na vida ativa. A caridade, que nos faz ir ao encontro do nosso irmão, é essencial e supera todas as coisas. (cf. I Cor 13, 13)

Ninguém se salva sozinho […] A dimensão comunitária não é apenas uma ‘moldura’, mas é uma parte integrante da vida cristã, do testemunho e da evangelização.” (Audiência Geral, 15 de janeiro de 2014, Papa Francisco)

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