A fecundidade do Matrimônio à luz da Parábola do Semeador

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Inicio esta breve reflexão retomando as palavras de São Paulo na Carta aos Efésios. “As mulheres sejam submissas a seus maridos” (Ef 5, 22). Uma frase que fora do seu contexto, principalmente hoje, leva a alguns grupos feministas a se debaterem por dentro e gritarem em alta voz: O cristianismo oprime o sexo femininoMas, será mesmo?

São João Paulo II, em sua Carta Apostólica Mulieris Dignitatem, nos diz que toda interpretação sobre a submissão da mulher deve ser entendida como uma submissão recíproca no amor de Deus. E na própria Cartas aos Efésios, no versículo anterior, São Paulo com toda clareza exorta ‘submetei-vos uns aos outros no amor de Cristo’ (cf Ef 5, 21). Estes textos nos dão a interpretação por excelência: Homem e mulher são chamados a se submeterem um ao outro, por amor a Deus.

Homem e mulher são chamados a se submeterem um ao outro, por amor a Deus.

Quero, contudo, aprofundar este entendimento (o da submissão) diante de uma análise antropológica. Na raíz da natureza humana encontramos aspectos que definem o homem e a mulher. Nesta catequese, vamos abordar o aspecto da fecundidade.

Na figura masculina – no homem – temos aquele que é o fecundador, o semeador, o agricultor que germina a terra. Na figura feminina – na mulher – temos aquela que é a terra fecunda, o solo propício para ser fecundado, o campo onde serão lançadas as sementes.

O homem é aquele que semeia, a mulher é a terra fecunda.

É neste contexto que os convido a compreender este ‘estar submisso’, como aquilo que está abaixo, que serve como chão, nos dando firmeza e sendo o alicerce, o firme local onde se montam as estruturas. Assim é a mulher no relacionamento com o homem. Ela é a terra fértil, que carrega o fruto e o mantém. Ela é aquela dá ao homem seu chão, sua firmeza e fortaleza.

Na parábola do semeador é próprio de Deus lançar a semente, a Palavra que tem força para gerar os frutos. Mas é próprio do casal criar as condições para que isto aconteça. A mulher é a terra fértil e o homem é aquele que cuida, molha, aduba e cultiva.

A mulher é a terra fértil e o homem é aquele que cuida, molha, aduba e cultiva.

“Algumas sementes caíram à beira do caminho e os pássaros vieram e as comeram” (Mt 13, 4). Assim são os casais cuja as intenções no casamento fogem do plano de amor pensado por Deus. Na encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI é descrito que existem dois aspectos inseparáveis do ato matrimonial, a união e a procriação. Há casais que desde o início do namoro já excluem a possibilidade de gerar família, fechando o ato sexual à vida e não permitindo que cresça um amor para fora, para o outro. O casal, em sua má compreensão do amor, seja fecha ao egoísmo e ao prazer e não permite os frutos próprios da maternidade e paternidade.

“Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz.” (Mt 13, 5-6). Assim são os casais que casam sem compreender a responsabilidade que assumem no matrimônio. O Papa Francisco em seu discurso de abertura do Congresso Eclesial de Roma em 2016 disse: “…a grande maioria dos nossos matrimônios sacramentais são nulos, porque eles [os casais] dizem: ‘sim, por toda a vida’, mas não sabem o que dizem…”. Há muita disposição e coragem para dizer sim ao outro, mas muitas vezes não compreendemos a grandeza das dificuldades e os desafios desta vocação. Nas primeiras dificuldades abandonamos o matrimônio como se fosse uma curta etapa vida. Quantos não são os casamentos que duram meses ou mesmo poucos anos? É preciso entender a natureza do matrimônio e não iguala-lo a qualquer simples união.

“…a grande maioria dos nossos matrimônios sacramentais são nulos, porque eles [os casais] dizem: ‘sim, por toda a vida’, mas não sabem o que dizem…” (Papa Francisco, 2016)


“Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas.” (Mt 13, 7). Muitos casais se sufocam e não percebem o mal que fazem a si mesmos. Aponto três situações que são mais comuns do que imaginamos.


A primeira delas é a confiança cega nos bens materiais. Desde o namoro já escutamos nossos amigos dizerem que ainda não noivaram pois não possuem um apartamento ou ainda não se casaram porque não possuem a vida que querem ter. A medida que estas palavras buscam mostrar uma atitude de segurança, transmitem também, mesmo que de modo inconsciente, o receio de construir juntos as coisas. Isso sufoca o matrimônio ao longo do tempo;

A segunda é a vida matrimonial que se resume a uma vida de festas, diversões, luxos e viagens. Estes casais colocam essas coisas sempre a frente dos deveres para com o próprio matrimônio. Até possuem o desejo de criar família, mas não enquanto não viverem tudo que desejam viver. O comodismo do prazer não conhece uma vida de sacrifícios.

A terceira, não menos comum, é a de casais que dedicam a vida inteira às atividades Pastorais e passam a vida com tempo para os outros, mas se esquecem de si. Chegam a comemorar 30 anos de casamento, mas dizem um ao outro ‘há tantas coisas que não conheço em você’. Isto é uma forma singela de sufocar a comunhão do casamento. Um homem deve ser aquele que cultiva diariamente a terra, que aduba com carinho, que rega todos os cantos, que cobre do sol. A procriação caminha junto com a união e não existe plena comunhão sem que se conheçam, sem que vivam um amor enamorado a cada dia.


Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente.” (Mt 13, 8). Nas palavras (atribuídas) do Bento XVI, ‘Somente a rocha do amor total e irrevogável entre o homem e a mulher é capaz de dar um fundamento para a construção de uma sociedade que se torne casa para todos os homens’ vemos que é na estrutura de uma família, que deseja para sua vida os planos de Deus, que observamos os maiores e mais grandiosos frutos.

São quatro os caminhos que todo casal deve trilhar.

  1. Estarem abertos a vida, para que possam gerar os frutos;
  2. Busquem compreender a razão e os desafios da decisão que tomam;
  3. Se esforcem para estar em conhecimento íntimo e constante do seu esposo ou esposa, para assim, com mais perfeição, crescer no amor;
  4. E por fim, ser capaz de uma verdadeira e recíproca submissão por Amor a Deus.

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